Posso desistir?

O processo de mudar de país é uma bela de uma montanha-russa (mudar efetivamente deve ser ainda pior, mas não cheguei nessa parte ainda).

Enquanto ontem eu estava pensando em deixar de lado todos os posts práticos que eu tinha programado pra fazer um post super emocional sobre o começo das rupturas com a rotina aqui no Brasil (tive as duas primeiras ontem), hoje antes das 9h da manhã eu já queria dar um conselho voltado para a parte prática disso tudo: tenha paciência, se programe com antecedência e, acima de tudo, seja persistente. Gente sem persistência (ou sem cidadania européia) não mora na Europa não.

Por que isso, Gi?

Bom, eu sou uma pessoa persistente. Muito. Que resolve as coisas rápido. Muito. Que gosta de programar os mínimos detalhes com antecedência. E vou te contar que faltou um nadinha pra eu desistir de ir, viu.

Cada dia é um documento diferente que falta, um processo, uma burocracia. Mas em vez de ficar só resmungando, eu vou contar um pouco como foi o meu processo (lembrando que as coisas podem mudar de curso pra curso e de faculdade pra faculdade, tá).

Primeiro eu decidi que queria fazer um curso fora, depois decidi que seria na Holanda (outro dia eu conto o porquê), escolhi o curso (assunto pra outro post também), li todos os pré-requisitos e fui atrás da documentação.

Pro meu curso eu precisava de documentos básicos (passaporte e tal), prova de inglês, diplomas e históricos escolares traduzidos e de uma carta de motivação. Melhor ainda, a faculdade deixava eu mandar tudo por um portal na Internet. Razoavelmente fácil, né?

Falei bastante com o International Office da faculdade para tirar dúvidas e estava tranquila que tinha enviado tudo bonitinho, agora era só esperar saber se seria aceita.

E eu fui. E fiquei saltitante de felicidade. Aí fui abrir o invoice pra pagamento enviado pela faculdade, tinha um monte de itens lá que eu não estava esperando. “MVV and residence permit – € 350”, “Insurance – € 250”, “Housing – € 2.200”, “Deposit – sei lá quantos €”.

O primeiro deve ser visto de estudante, né? Mas TREZENTOS E CINQUENTA EUROS??? Depois eu descobri que essa era a taxa do IND, o serviço de imigração deles, mas na hora achei que a faculdade estava me roubando. Depois “Insurance”, seguro do quê? Vida, saúde, sei lá? Também fui saber depois que ter seguro de saúde é obrigatório pra quem mora na Europa e que esse era um preço bem razoável. Uma observação aqui, a faculdade não me explicou nada, mandou o invoice e só, eu que sai atrás das coisas pra entender o que era aquilo.

Bom, aí veio “Housing”, beleza, esse ta fácil, vou morar com o Élvis e o Marcelo, então não quero os alojamentos de vocês não, tá?

Primeiro stress:

“Ok, então manda pra gente seu endereço aqui.”
“Claro, mando em agosto, assim que eu tiver chegado e achado apartamento.”
“Agosto nada, tem que ser agora pra gente poder dar entrada no seu visto.”
“Mas eu falei com o consulado e só precisa do seguro de saúde e da comprovação de recursos financeiros.”
“Pra eles não precisa, mas a gente também exige endereço.”

Vou resumir, depois de muitos e-mails trocados eles deixaram que eu enviasse uma declaração de uma pessoa que mora lá dizendo que eu moraria na casa dela até achar apartamento. Por sorte o Marcelo tinha um amigo morando em Amsterdam que foi um anjo na nossa vida e topou fazer isso (duas vezes, porque a faculdade não explicou direito e precisamos pedir pra ele corrigir umas coisas).

Oba, agora vai!

Invoice sem o “Housing” recebida (eu já tinha falado com o meu banco uns dez dias antes pra que deixassem tudo pronto pra transferência internacional), fui lá ligar pra fazer o processo. Descobri algumas coisas: não, minha gerente não tinha resolvido tudo, mas achava e insistia que tinha. E o que ela não tinha feito levava até 3 dias úteis pra ser processado depois que ela fizesse. A invoice precisava ser atualizada pra incluir o valor da comprovação financeira que eu ia mandar junto. A taxa de transferência internacional pelo internet banking é bem mais barata, mas você só consegue fazer com o aplicativo do banco instalado (que eu não tinha como instalar naquele dia). O banco quis me cobrar 33% de imposto de renda sobre todos os valores que não fossem o do curso em si, inclusive sobre a minha comprovação de renda, achando que aquilo era acomodação.

E lá fui eu de novo. Entendi o que tinha faltado e expliquei pra gerente o que era pra ela poder arrumar. Dei chilique Falei calmamente com o banco pra liberarem em menos de 3 dias úteis. Consegui que a faculdade me mandasse uma invoice atualizada. Instalei o aplicativo do banco no computador e fiz a transação. Levantei documentos pra provar pro banco que eu não estava pagando acomodação e consegui que eles excluíssem o imposto de renda de quase todos os itens, mas ainda tive que pagar mais de R$ 400,00 referente à taxa pra emissão do meu visto! Isso mesmo, 33% de imposto de renda sobre a taxa consular (como se eu já não pagasse um absurdo descontado direto na folha)! Ah e óbvio que teve os 0,38% de IOF sobre o valor total, né? (Vale destacar que essa novela toda sobre o pagamento ainda levou 48h pra ser resolvida, com eu ligando loucamente pra todos os envolvidos)

Ufa, o dinheiro saiu da minha conta, agora é só esperar o visto, uhuuuuuu!

Abro minha caixa de e-mail, tem uma mensagem da faculdade pedindo seguro viagem pra ser submetido até dia X.

Tchau!

Um comentário sobre “Posso desistir?

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